A Primeira Revolução Industrial ocorreu na
Inglaterra, no século XVIII (1780-1830). A Inglaterra foi o primeiro país a
passar por esta revolução. Por volta de 1830, a Primeira Revolução Industrial
se completou na Inglaterra, e daí migrou para o continente europeu. Chegou à
Bélgica e França, países próximos do arquipélago britânico. Por volta dos
meados do século XIX, atravessou o Atlântico e rumou para os Estados Unidos. E,
no final do século, retornou ao continente europeu para retomar seu fio tardio
na Alemanha e na Itália, chegando, também, ao Japão.
O ramo característico da Primeira Revolução
Industrial é o têxtil de algodão. Ao seu lado, aparece a siderurgia, dada a
importância que o aço tem na instalação de um período técnico apoiado na
mecanização do trabalho.
O sistema de técnica e de trabalho desse
período é o paradigma manchesteriano, nome dado por referência a Manchester, o
centro têxtil por excelência representativo desse período. A tecnologia
característica é a máquina de fiar, o tear mecânico. Todas são máquinas movidas
a vapor originado da combustão do carvão, a forma de energia principal desse
período técnico. O sistema de transporte
característico é a ferrovia, além da navegação marítima, também movida à energia
do vapor do carvão.
A base do sistema manchesteriano é o trabalho
assalariado, cujo cerne é o trabalhador por ofício. Um trabalhador qualificado
é geralmente pago por peça.
***
A Segunda Revolução Industrial começou por
volta de 1870. Mas a transparência de um novo ciclo só se deu nas primeiras
décadas do século XX. Foi um fenômeno muito mais dos Estados Unidos que dos
países europeus.
E esta segunda revolução industrial que está
por trás de todo desenvolvimento técnico, científico e de trabalho que ocorre
nos anos da Primeira e, principalmente, da Segunda Guerra Mundial.
A Segunda Revolução Industrial tem suas bases
nos ramos metalúrgico e químico. Neste período, o aço torna-se um material tão
básico que é nele que a siderurgia ganha sua grande expressão. A indústria
automobilística assume grande importância nesse período. O trabalhador típico
desse período é o metalúrgico. O sistema de técnica e de trabalho desse período
é o fordista, termo que se refere ao empresário Ford, criador, na sua indústria
de automóveis em Detroit, Estados Unidos, do sistema que se tornou o paradigma
de regulação técnica e do trabalho conhecido em todo o mundo industrial.
A tecnologia característica desse período é o
aço, a metalurgia, a eletricidade, a eletromecânica, o petróleo, o motor a
explosão e a petroquímica. A eletricidade e o petróleo são as principais formas
de energia.
A forma mais característica de automação é a
linha de montagem, criada por Ford (1920), com a qual introduz na indústria a
produção padronizada, em série e em massa. Com o fordismo, surge um trabalhador
desqualificado, que desenvolve uma função mecânica, extenuante e para a qual
não precisa pensar. Pensar é a função de um especialista, o engenheiro, que
planeja para o conjunto dos trabalhadores dentro do sistema da fábrica.
Temos aqui a principal característica do período
técnico da Segunda Revolução Industrial: a separação entre concepção e
execução, separando quem pensa (o engenheiro) e quem executa (o trabalhador em
massa). É, pois, o taylorismo que está na base do fordismo. É criação do
taylorismo (Taylor, 1900) essa série de segmentações que quebra e dissocia o
trabalho em aspectos até então organicamente integrados, a partir da separação
entre o trabalho intelectual e o trabalho manual (operários)
Taylor elabora um sistema que designa de
organização científica do trabalho (OIT).
O trabalho taylorizado é especializado,
fragmentado, não-qualificado, intenso, rotineiro, insalubre e hierarquizado.
***
A Terceira Revolução Industrial tem início na
década de 1970, tendo por base a alta tecnologia, tecnologia de ponta (HIGH-TECH). As
atividades tornam-se mais criativas, exigem elevada qualificação da mão-de-obra
e têm horário flexível. E uma revolução técnico-científica, tendo a
flexibilidade do Toyotismo. As características do toyotismo foram desenvolvidas
pelos engenheiros da Toyota, indústria automobilística japonesa, cujo método
foi abolir a função de trabalhadores profissionais especializados para
torná-los especialistas multifuncionais, lidando com as emergências locais
anonimamente.
A tecnologia característica desse período
técnico, que tem início no Japão, é a microeletrônica, a informática, a máquina
CNC (Controle Numérico Computadorizado), o robô, o sistema integrado à
telemática (telecomunicações informatizadas), a biotecnologia. Sua base
mistura, à Física e à Química, a Engenharia Genética e a Biologia Molecular. O
computador é a máquina da terceira revolução industrial. É uma máquina
flexível, composto por duas partes: o hardware (a máquina propriamente dita) e
o software (o programa). O circuito e o programa integram-se sob o comando do
chip, o que faz do computador, ao contrário da máquina comum, uma máquina
reprogramável e mesmo autoprogramável. Basta para isso que se troque o programa
ou se monte uma programação adequadamente intercambiável. A organização do
trabalho sofre uma profunda reestruturação. Resulta um sistema de trabalho
polivalente, flexível, integrado em equipe, menos hierárquico. Computadorizada,
a programação do conjunto é passada a cada setor da fábrica para discussão e
adaptação em equipe (CCQ), na qual se converte num sistema de rodízio de tarefa
que restabelece a possibilidade de uma ação criativa dos trabalhadores no
setor.
Para efetivar esta flexibilização do trabalho
de execução, distribui-se pelo espaço da fábrica um sistema de sinalização
semelhante ao do tráfego.
Elimina-se pela reengenharia grande parte da
rede de chefias.
Toda essa flexibilização técnica e do
trabalho toma-se mais adaptável ao sistema econômico. Sobretudo a relação entre
produção e consumo, por meio do JIT (just-in-time).
A verticalização do tempo fordista cede lugar
à horizontalização. Com a horizontalização terceirizada e subcontratada, o
problema dos altíssimos investimentos que a nova tecnologia pede é contornado e
o controle da economia agora transnacionalizada fica nas mãos de um punhado
ainda menor de empresas. Sob a condução delas, a velha divisão imperial do
planeta cede lugar à globalização.
As novas regiões industriais de alta
tecnologia, de ponta, unem centros produtores de tecnologia com indústrias de
informações, associados a grandes centros de pesquisa (universidades): são os
tecnopólos. O principal tecnopólo é o Vale do Silício, localizado na Califórnia
(EUA) ao sul de São Francisco, próximo da Universidade de Stanford. Outros
exemplos importantes são: a chamada Route 128, perto de Boston e do MIT (EUA);
a região de Tóquio-Yokohama (Japão); a região Paris-Sud (França); o corredor
M4, ao redor de Londres Reino Unido); a região de Milão (Itália); as regiões de
Berlim e Munique (Alemanha); Moscou, Zelenogrado e São Petersburgo (Rússia);
São Paulo-Campinas-São Carlos (Brasil).
***
Em caso de dúvidas, deixe sua pergunta nos
comentários. Para mais artigos como este clique aqui. Pedidos podem
ser feitos no canto superior direito da página.
0 comentários:
Postar um comentário